
Kill Bill e Uma Thurman: A Saga de Vingança, o Acidente no Set e a Criação de um Ícone
Atualizado em Agosto de 2026 · Por Editor Fast Art Web
Em resumo: E se a maior saga de vingança do cinema moderno escondesse uma tragédia real? Com um macacão amarelo icônico (homenagem direta a Bruce Lee), uma espada Hattori Hanzo em punho e 1.700 litros de sangue falso, Kill Bill foi lançado em dois volumes: Vol. 1 em 10 de outubro de 2003 ($180,9M mundiais) e Vol. 2 em 16 de abril de 2004 ($152,2M mundiais), totalizando $333 milhões em bilheteria. Uma Thurman (nascida em 29 de abril de 1970 em Boston) não apenas estrelou — ela co-criou a Noiva (Beatrix Kiddo) com Quentin Tarantino durante as filmagens de Pulp Fiction (1994), ganhando o crédito "Q&U" na tela final. Indicada ao Globo de Ouro e BAFTA, sua performance foi interrompida por um acidente de carro quase fatal no set — uma ferida real que só foi revelada em 2018. Descubra a história completa por trás da assassina mais icônica do século XXI.
Com um macacão amarelo icônico, uma espada Hattori Hanzo em punho e um olhar que misturava fúria e dor, Uma Thurman não apenas estrelou Kill Bill; ela definiu o cinema de ação dos anos 2000.
A imagem da "Noiva" (The Bride) cortando membros do exército dos 88 Loucos tornou-se instantaneamente parte da cultura pop. Mas, por trás do sangue cenográfico e da direção estilosa de Quentin Tarantino, existe uma história real de dedicação física extrema, conflitos de bastidores quase fatais e uma performance que exigiu tudo da atriz.
Neste dossiê completo, vamos dissecar a saga de vingança mais famosa do cinema, explorar a polêmica do acidente de carro que rompeu a relação entre atriz e diretor por anos, e entender por que Beatrix Kiddo é uma das maiores heroínas de todos os tempos.
Ficha técnica: a saga em números
Antes de mergulharmos na história, aqui estão os dados essenciais sobre a franquia Kill Bill:
| Informação | Volume 1 | Volume 2 |
|---|---|---|
| Data de lançamento | 10 de outubro de 2003 | 16 de abril de 2004 |
| Orçamento | US$ 55 milhões | US$ 55 milhões |
| Bilheteria doméstica (EUA) | US$ 70 milhões | US$ 66 milhões |
| Bilheteria mundial | US$ 180,9 milhões | US$ 152,2 milhões |
| Duração | 1h 51min | 2h 17min |
| Direção | Quentin Tarantino | Quentin Tarantino |
| Distribuidora | Miramax Films | Miramax Films |
| Gênero | Ação / Artes marciais | Western / Drama |
| Abertura (primeiro fim de semana EUA) | US$ 22,08 milhões | US$ 25,10 milhões |
💰 Total da franquia: US$ 333,1 milhões em bilheteria mundial contra orçamento combinado de US$ 110 milhões — um retorno de 3x o investimento. Em 2011, Tarantino lançou Kill Bill: The Whole Bloody Affair, a versão unificada de 4 horas que combina ambos os volumes sem cortes.
Uma Thurman: a musa por trás da Noiva
Para entender a profundidade da performance em Kill Bill, precisamos conhecer a atriz. Uma Karuna Thurman nasceu em 29 de abril de 1970 em Boston, Massachusetts, filha do estudioso budista Robert Thurman e da modelo Nena von Schlebrügge. Em 2026, aos 56 anos, ela continua sendo uma das atrizes mais respeitadas de Hollywood.
Linha do tempo da carreira
| Ano | Marco | Importância |
|---|---|---|
| 1970 | Nascimento em Boston, Massachusetts | 29 de abril |
| 1985 | Início como modelo (15 anos) | Abandona escola aos 16 para atuar |
| 1988 | Dangerous Liaisons (Ligações Perigosas) | Primeiro papel importante |
| 1994 | Pulp Fiction (Mia Wallace) | Indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante |
| 1997 | Gattaca | Sci-fi cult ao lado de Ethan Hawke |
| 2003-2004 | Kill Bill Vol. 1 & 2 | Globo de Ouro e BAFTA por Melhor Atriz |
| 2018 | Revelação do acidente no set (NY Times) | Marco do movimento #MeToo |
| 2026 | 56 anos, carreira ativa | Mais de 50 filmes na filmografia |
A origem: uma ideia nascida em um bar
A lenda de Kill Bill não começou em um escritório de Hollywood, mas em um bar durante as filmagens de Pulp Fiction (1994).
Quentin Tarantino e Uma Thurman estavam conversando sobre filmes de Kung Fu e "Girls with Guns" (gênero de filme de ação asiático). Tarantino contou a ela sobre a ideia de uma assassina que é traída no dia do seu casamento.
Juntos, eles começaram a moldar a personagem ali mesmo. Tarantino creditou a criação da personagem "A Noiva" a Q & U (Quentin e Uma), um crédito que aparece na tela final do filme.
"Você não troca o seu Joe DiMaggio." — Quentin Tarantino, explicando por que esperou Uma Thurman engravidar e dar à luz seu filho antes de começar a filmar, recusando-se a escalar qualquer outra atriz.
Sim, Tarantino esperou 9 anos para realizar o filme, pois queria que Uma estivesse disponível. A referência a Joe DiMaggio (lenda do beisebol casado com Marilyn Monroe) ilustra o quanto ele considerava Thurman insubstituível para o papel.
Quem é A Noiva? (Beatrix Kiddo)
A personagem de Uma Thurman é um estudo complexo de maternidade e violência.
| Característica | Detalhe |
|---|---|
| Nome real | Beatrix Kiddo |
| Codinome | Mamba Negra (Black Mamba) |
| Outros nomes | A Noiva (The Bride) / Black Mamba |
| Afiliação | Ex-membro do Deadly Viper Assassination Squad (DVAS) |
| Mestre | Pai Mei (lendário mestre de kung fu) |
| Arma principal | Katana Hattori Hanzo (feita especialmente para ela) |
| Objetivo | Matar Bill e recuperar sua filha BB |
| Inimigos | Bill, O-Ren Ishii, Vernita Green, Elle Driver, Budd |
Thurman entrega uma atuação física brutal. Ela teve que aprender wushu, manejo de espada samurai (katana) e japonês. Diferente de heróis de ação que parecem invencíveis, a Noiva de Thurman sangra, chora, fica exausta e manca. É essa vulnerabilidade, misturada com uma determinação de ferro, que conecta o público à personagem.
Volume 1 vs. Volume 2: duas faces da mesma moeda
Para entender a atuação de Uma Thurman, é preciso ver como o filme foi dividido. Inicialmente planejado como uma única obra, Kill Bill foi dividido em duas partes devido à sua duração e complexidade.
Comparativo dos dois volumes
| Elemento | Volume 1 (2003) | Volume 2 (2004) |
|---|---|---|
| Estilo | Ação Oriental (samurai/kung fu) | Western Spaghetti / Drama |
| Foco | O Corpo (ação física) | A Alma (diálogos) |
| Tipo de atuação de Thurman | Física, coreografada | Dramática, emocional |
| Cena icônica | Casa das Folhas Azuis vs. Crazy 88 | Confronto final com Bill + descoberta da filha |
| Inspirações | Chanbara, anime, Lady Snowblood | Sergio Leone, faroestes italianos |
| Nível de violência | Alto (sangue exagerado) | Moderado (mais tenso) |
| Bilheteria | US$ 180,9M mundiais | US$ 152,2M mundiais |
Volume 1: O Corpo (Ação Oriental)
O primeiro filme é uma homenagem aos filmes de samurai (chanbara) e anime. Aqui, a atuação de Thurman é puramente física. A cena da Casa das Folhas Azuis, onde ela luta contra O-Ren Ishii (Lucy Liu) e seus capangas, exigiu meses de coreografia. O foco é a estética, a cor e o movimento.
Volume 2: A Alma (Western Spaghetti)
O segundo filme muda o tom. É um faroeste focado em diálogos. Aqui, Thurman brilha dramaticamente. O confronto final com Bill não é uma luta de espadas, mas uma conversa sobre super-heróis, peixes dourados e maternidade. A cena em que ela descobre que sua filha está viva é um dos pontos altos de sua carreira dramática.
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🟡 O figurino: por que amarelo?
Impossível falar de Kill Bill sem citar o traje. O macacão amarelo com listras pretas usado por Uma Thurman no clímax do Volume 1 não foi uma escolha aleatória da figurinista.
É uma homenagem direta a Bruce Lee, que usou um traje idêntico em seu último filme (incompleto), Jogo da Morte (Game of Death, 1978).
Ao vestir Uma Thurman como Bruce Lee, Tarantino estava fazendo uma declaração visual: ela não é apenas uma "mulher em um filme de ação"; ela é a sucessora espiritual das maiores lendas das artes marciais. O contraste do amarelo vivo com o sangue vermelho excessivo criou uma paleta de cores que definiu a estética pop da década.
O elenco de elite: os 5 alvos da Noiva
A saga de vingança de Beatrix Kiddo é contra cinco membros do Deadly Viper Assassination Squad, mais o próprio Bill. Aqui estão os principais antagonistas:
| Ator/Atriz | Personagem | Codinome DVAS | Volume |
|---|---|---|---|
| Uma Thurman | Beatrix Kiddo (A Noiva) | Black Mamba | 1 & 2 |
| David Carradine | Bill (Snake Charmer) | Líder do DVAS | 1 & 2 |
| Lucy Liu | O-Ren Ishii | Cottonmouth | Vol. 1 |
| Vivica A. Fox | Vernita Green | Copperhead | Vol. 1 |
| Daryl Hannah | Elle Driver | California Mountain Snake | 1 & 2 |
| Michael Madsen | Budd | Sidewinder | Vol. 2 |
| Chiaki Kuriyama | Gogo Yubari | Guarda-costas de O-Ren | Vol. 1 |
| Sonny Chiba | Hattori Hanzo | Mestre forjador de espadas | Vol. 1 |
| Gordon Liu | Pai Mei | Mestre lendário | Vol. 2 |
A polêmica: o acidente de carro no set
Durante anos, houve um mistério sobre o porquê de Uma Thurman e Tarantino terem parado de se falar após o filme. A verdade veio à tona em 2018, em uma entrevista reveladora ao The New York Times.
No final das filmagens, havia uma cena simples: a Noiva dirigindo um conversível azul (o famoso Karmann Ghia) em uma estrada de terra para ir matar Bill.
O que aconteceu
- Uma Thurman não queria dirigir o carro. Ela foi avisada por membros da equipe que o veículo adaptado não era seguro. Ela pediu um dublê.
- Tarantino, querendo realismo e a luz natural batendo no rosto dela, insistiu furiosamente que ela dirigisse, garantindo que a estrada era uma linha reta segura.
- A estrada não era reta, e a areia era instável.
- Uma perdeu o controle, bateu em uma árvore e sofreu lesões permanentes no pescoço e nos joelhos.
A consequência
| Aspecto | Detalhe |
|---|---|
| Filmagem do acidente | "Enterrada" pela Miramax/Weinstein por 15 anos |
| Lesões permanentes | Pescoço e joelhos (Uma ainda sofre consequências) |
| Rompimento | Thurman sentiu-se traída; acusou Tarantino de tentar matá-la |
| Arrependimento público | Tarantino admitiu ser "o maior arrependimento de sua vida" |
| Reconciliação | Anos depois, Tarantino ajudou Uma a conseguir a filmagem para expor o caso |
| Revelação pública | Fevereiro de 2018, The New York Times |
| Contexto histórico | Marco do movimento #MeToo em Hollywood |
"Eu o perdoei, mas o que ele fez foi imperdoável." — Uma Thurman, em 2018, sobre o acidente que mudou sua vida e sua relação com Tarantino.
Bastidores e curiosidades
Por trás de cada cena icônica de Kill Bill há histórias fascinantes. Aqui estão algumas das mais surpreendentes:
| # | Curiosidade | Detalhe |
|---|---|---|
| 1 | O Pussy Wagon era de Tarantino | O carro amarelo e rosa que a Noiva rouba pertencia ao próprio diretor. Ele dirigia por Los Angeles para promover o filme |
| 2 | 1.700 litros de sangue falso | Quantidade recorde usada durante as filmagens, imitando filmes grindhouse dos anos 70 |
| 3 | Cena em preto e branco dos Crazy 88 | Não foi escolha artística: foi exigência da MPAA (censura americana) para evitar NC-17. Versão japonesa mantém em cores |
| 4 | Nome "Beatrix Kiddo" censurado | No Volume 1, toda vez que alguém diz o nome da Noiva, há um "bipe". O nome só é revelado no Volume 2 |
| 5 | Homenagem a Lady Snowblood | Filme japonês de 1973 que inspirou a história de vingança feminina |
| 6 | Crédito "Q&U" | Tarantino e Uma dividem crédito pela criação da personagem |
| 7 | Animação no Volume 1 | Cena da origem de O-Ren Ishii em estilo anime pelo estúdio Production I.G (mesmo de Ghost in the Shell) |
| 8 | Katana Hattori Hanzo | Espada forjada especificamente para o filme; uma das armas mais caras já feitas para o cinema |
| 9 | Filmagens no México e China | Cenários autênticos de faroeste e templos japoneses |
| 10 | Técnica dos 5 pontos da palma | Golpe mortal ensinado por Pai Mei; a Noiva usa no confronto final com Bill |
Prêmios e indicações
Kill Bill e Uma Thurman receberam diversas indicações importantes durante a temporada de prêmios de 2004-2005.
| Prêmio | Ano | Categoria | Resultado |
|---|---|---|---|
| Globo de Ouro | 2004 | Melhor Atriz - Drama (Uma Thurman) | Indicada |
| BAFTA | 2004 | Melhor Atriz (Uma Thurman) | Indicada |
| BAFTA | 2004 | Melhor Trilha Sonora | Indicado |
| BAFTA | 2004 | Melhor Som | Indicado |
| MTV Movie Awards | 2004 | Melhor Luta (Uma Thurman vs. Chiaki Kuriyama) | VENCEDOR |
| MTV Movie Awards | 2004 | Melhor Performance Feminina | VENCEDOR |
| Empire Awards | 2004 | Melhor Atriz (Uma Thurman) | VENCEDOR |
| Saturn Awards | 2004 | Melhor Filme de Ação/Aventura | VENCEDOR |
| Saturn Awards | 2004 | Melhor Atriz (Uma Thurman) | VENCEDOR |
Influências culturais: o que inspirou Kill Bill
Tarantino é conhecido por ser um cinéfilo voraz, e Kill Bill é uma colagem de referências cinematográficas de diferentes gêneros e países.
| Gênero/Filme | País/Ano | Influência em Kill Bill |
|---|---|---|
| Lady Snowblood | Japão, 1973 | História de vingança feminina; neve com sangue |
| Jogo da Morte (Game of Death) | Hong Kong, 1978 | Macacão amarelo de Bruce Lee |
| Filmes de Sergio Leone | Itália, anos 60-70 | Estilo western spaghetti do Volume 2 |
| Shogun Assassin | Japão, 1980 | Violência estilizada e relações pai-filho |
| Filmes grindhouse | EUA, anos 70 | Exagero de sangue e estética exploitation |
| Anime japonês | Japão | Cena animada da origem de O-Ren Ishii |
| Filmes de kung fu (Shaw Brothers) | Hong Kong, anos 70 | Coreografias de luta e estética wuxia |
🎬 Leia também no Fast Art Web: Phil Collins e "Against All Odds" — outra obra icônica dos anos 80 que influenciou gerações
Resumo: 10 razões para (re)ver Kill Bill hoje
| # | Razão | Por que importa |
|---|---|---|
| 1 | Performance icônica de Uma Thurman | Uma das maiores heroínas do cinema moderno |
| 2 | Direção de Tarantino no auge | Estilo visual único que definiu os anos 2000 |
| 3 | Macacão amarelo icônico | Homenagem a Bruce Lee; virou símbolo pop |
| 4 | Cena da Casa das Folhas Azuis | Uma das melhores lutas de espadas do cinema |
| 5 | Trilha sonora memorável | "Battle Without Honor or Humanity" virou hino |
| 6 | Protagonista feminina complexa | Mãe e assassina: duas faces humanas |
| 7 | Mistura de gêneros | Samurai + western + anime + exploitation |
| 8 | Elenco estelar | Lucy Liu, Daryl Hannah, David Carradine |
| 9 | Diálogos tarantinescos | Conversa sobre super-heróis no Vol. 2 é genial |
| 10 | Impacto cultural duradouro | Mais de 20 anos depois, ainda influencia o cinema |
Perguntas frequentes sobre Kill Bill e Uma Thurman
1Qual é a história por trás do nome "Kill Bill"?
O título "Kill Bill" é uma homenagem direta aos filmes de vingança e artes marciais que influenciaram Tarantino, especialmente o filme japonês Lady Snowblood (1973), que conta a história de uma mulher em busca de vingança contra aqueles que mataram sua família. O nome também funciona como uma declaração direta e brutal da missão da protagonista: matar Bill, o homem que ordenou o massacre no ensaio de seu casamento e roubou sua filha. A simplicidade do título é uma marca do estilo tarantinesco.
2Por que o filme foi dividido em duas partes?
Inicialmente, Quentin Tarantino planejou lançar Kill Bill como uma única obra. Porém, devido à sua duração (mais de 4 horas no total) e à complexidade narrativa, a decisão de dividi-lo em duas partes foi tomada. O Volume 1 (2003) foca na ação física e estética oriental, enquanto o Volume 2 (2004) mergulha nos diálogos e na emoção em estilo western spaghetti. Em 2011, Tarantino lançou Kill Bill: The Whole Bloody Affair, a versão unificada de 4 horas sem cortes, que ele considera a forma "definitiva" de assistir à saga.
3Qual é a importância de Thurman como A Noiva?
A atuação de Uma Thurman como A Noiva é crucial para o sucesso do filme. Ela trouxe humanidade ao personagem, tornando-o mais do que apenas uma assassina. A Noiva sangra, chora, fica exausta e manca — diferente dos heróis de ação invencíveis. Thurman treinou intensamente em wushu, manejo de katana e japonês. Sua dedicação física foi tamanha que ela realizou a maioria de suas próprias cenas de luta. A vulnerabilidade misturada com determinação de ferro é o que conecta o público à personagem e a torna uma das maiores heroínas do cinema moderno.
4Há planos para uma terceira parte de "Kill Bill"?
Ao longo dos anos, Tarantino mencionou várias vezes a possibilidade de um Kill Bill 3, que focaria na filha de Vernita Green (personagem de Vivica A. Fox) buscando vingança contra a Noiva, criando um ciclo de vingança entre gerações. Tarantino imaginou fazer o filme 30 anos após o Volume 2, quando a filha de Beatrix (BB) e a filha de Vernita estivessem adultas. Porém, com a decisão de Tarantino de se aposentar da direção após 10 filmes (ele já completou seu "décimo" com The Movie Critic, cancelado em 2024), um Kill Bill 3 oficial parece cada vez mais improvável. Até 2026, não há projeto confirmado.
5Uma Thurman fez as próprias cenas de luta em Kill Bill?
Sim, Uma Thurman realizou a maioria de suas cenas de luta em Kill Bill após um treinamento intenso de meses em artes marciais (wushu), manejo de katana e japonês. A cena da Casa das Folhas Azuis, onde ela enfrenta os Crazy 88 sozinha, exigiu coreografia complexa que levou semanas para ser filmada. Ela insistiu em fazer as próprias acrobacias sempre que possível, o que resultou em diversas lesões durante as filmagens. Sua dedicação ao papel foi essencial para a autenticidade das cenas de ação, tornando-as muito mais impactantes do que se tivessem sido feitas apenas com dublês.
6Qual é a relação entre Quentin Tarantino e Uma Thurman?
Tarantino e Thurman desenvolveram uma parceria criativa única ao longo dos anos. Ele escreveu o papel da Noiva especialmente para ela, e ambos colaboraram profundamente na criação do personagem (recebendo crédito conjunto "Q&U"). Eles se conheceram em Pulp Fiction (1994), onde Thurman foi indicada ao Oscar. Porém, a relação foi severamente abalada pelo acidente de carro de 2003, quando Tarantino insistiu que Thurman dirigisse pessoalmente um carro inseguro. Thurman sofreu lesões permanentes e ficou anos sem falar com ele. Em 2018, a história veio a público no New York Times, tornando-se marco do movimento #MeToo. Eles se reconciliaram anos depois, mas a cicatriz física e emocional permanece.
7Por que Kill Bill é considerado um marco no cinema de ação?
Kill Bill trouxe uma nova perspectiva ao gênero de ação, com uma protagonista feminina forte, complexa e humana, algo raro no cinema mainstream dos anos 2000. Combinou estilos aparentemente incompatíveis — filmes de samurai, western spaghetti, anime, kung fu e exploitation — em uma narrativa coesa. A direção estilosa de Tarantino, o figurino icônico (macacão amarelo), as coreografias elaboradas e a trilha sonora inesquecível criaram uma estética que influenciou toda uma geração de cineastas. O filme abriu as portas para outras heroínas femininas em filmes de ação como Atomic Blonde, John Wick e Mad Max: Fury Road.
8Qual o verdadeiro nome da Noiva em Kill Bill?
O nome real da personagem é Beatrix Kiddo. Durante todo o Volume 1, toda vez que alguém diz o nome dela, há um som de "bipe" censura — uma escolha estilística de Tarantino para criar mistério. O nome só é revelado plenamente no Volume 2, embora possa ser visto brevemente em uma passagem de avião no primeiro filme. "Kiddo" também é um apelido que Bill usa para ela, mas tem duplo sentido: em inglês é uma expressão carinhosa ("garota"), mas também é o nome de solteira dela. Esse jogo com nomes é típico do roteiro tarantinesco.
9Quanto Kill Bill arrecadou nas bilheterias?
A franquia Kill Bill foi um sucesso comercial significativo. O Volume 1 (2003), com orçamento de US$ 55 milhões, arrecadou US$ 180,9 milhões mundiais (US$ 70 milhões nos EUA). O Volume 2 (2004), também com orçamento de US$ 55 milhões, arrecadou US$ 152,2 milhões mundiais (US$ 66 milhões nos EUA). Combinados, os dois filmes totalizaram US$ 333,1 milhões em bilheteria mundial contra US$ 110 milhões de orçamento — um retorno de aproximadamente 3x o investimento. Considerando o status cult e o impacto cultural duradouro, Kill Bill é um dos franchises mais lucrativos da carreira de Tarantino.
10O que significa o macacão amarelo em Kill Bill?
O macacão amarelo com listras pretas é uma homenagem direta a Bruce Lee, que usou um traje idêntico em seu último filme (incompleto), Jogo da Morte (Game of Death, 1978). Ao vestir Uma Thurman como Bruce Lee, Tarantino estava fazendo uma declaração visual poderosa: ela não é apenas uma "mulher em um filme de ação"; ela é a sucessora espiritual das maiores lendas das artes marciais. O contraste do amarelo vivo com o sangue vermelho excessivo criou uma das paletas de cores mais icônicas da década, virando símbolo pop e inspirando cosplays, referências em videoclipes e homenagens em outros filmes.
Conclusão: vingança, arte e sobrevivência
Kill Bill é uma obra-prima sangrenta, mas não seria nada sem a alma de Uma Thurman. Ela trouxe humanidade para uma caricatura de assassina.
A saga não é apenas sobre vingança; é sobre a força imparável de uma mãe. Beatrix Kiddo acorda de um coma, recupera suas habilidades, atravessa continentes e enfrenta os assassinos mais perigosos do mundo — tudo por uma filha que nem sabia se estava viva. É a história mais antiga do mundo (o amor materno) vestida com a estética mais moderna possível.
O acidente no set nos lembra que a dor que vemos na tela, muitas vezes, tem um eco na realidade. Tarantino errou — e errou feio — ao colocar a segurança de sua musa em risco em nome da arte. Thurman sofreu lesões permanentes e carregou a ferida emocional por 15 anos antes de ter coragem de falar publicamente. Sua coragem em 2018 ajudou a mudar Hollywood.
Beatrix Kiddo sobreviveu a tudo — aos tiros na cabeça, ao coma, aos Crazy 88, a Pai Mei, a Bill. Uma Thurman também sobreviveu. E nos deu, de presente, uma das heroínas mais inesquecíveis do século XXI.
Quando vemos a Noiva, de macacão amarelo, katana em punho, enfrentando um exército sozinha — vemos Uma. E quando vemos Uma, vemos toda mulher que já precisou lutar contra o impossível por amor. Essa é a magia de Kill Bill: a arte imita a vida, e a vida — às vezes — imita a arte.
🎬 Qual é a sua cena favorita de Kill Bill? A Casa das Folhas Azuis, o confronto final com Bill, ou o momento em que Beatrix descobre que sua filha está viva? Conte para nós nos comentários!


