Comida Típica de Mato Grosso do Sul: 10 Pratos Imperdíveis, Suas Histórias e Onde Comer
Esqueça as fronteiras geográficas. A culinária de Mato Grosso do Sul é um caldeirão cultural fascinante onde a tradição indígena, a influência dos vizinhos paraguaios, a imigração japonesa e a vida rústica do Pantanal se encontram no mesmo prato.
Diferente de outros estados brasileiros onde a herança portuguesa ou africana predomina, MS tem um sotaque gastronômico único. Aqui, come-se macarrão japonês na feira central, o café da manhã tem formato de ferradura e a “sopa” é, na verdade, um bolo salgado.
Se você está planejando visitar o estado ou simplesmente quer conhecer a riqueza gastronômica do Centro-Oeste, prepare o apetite.
Neste guia completo, selecionamos os 10 pratos que definem a identidade sul-mato-grossense, contamos a história curiosa por trás de cada um e explicamos por que você precisa prová-los.
1. Sobá: O Ícone de Campo Grande
Pode parecer estranho que o prato mais famoso de uma capital no centro do Brasil seja japonês, mas o Sobá é a alma de Campo Grande.
Trazido por imigrantes da ilha de Okinawa no início do século XX, o prato sofreu adaptações ao paladar brasileiro que o tornaram único no mundo. O Sobá de Campo Grande é tão importante que foi tombado como Patrimônio Cultural Imaterial pelo IPHAN.
Como é o Sobá de MS?
Diferente da versão japonesa original (que é mais leve e usa trigo sarraceno), o nosso Sobá leva:
- Macarrão caseiro (com farinha branca).
- Um caldo rico à base de ossobuco ou costela.
- Tiras de carne bovina ou suína.
- Cebolinha fresca picada.
- E o toque final: tiras finas de omelete.
Dica: A experiência autêntica é na Feira Central de Campo Grande, onde há uma estátua gigante de um prato de sobá na entrada!
2. Sopa Paraguaia: A Sopa Sólida

O nome é a maior “pegadinha” da culinária local. Se você pedir uma Sopa Paraguaia esperando um caldo para tomar de colher, vai se surpreender. Trata-se de um bolo de milho salgado.
Feita com farinha de milho, muito queijo (meia cura ou caipira), cebola, leite e ovos, ela é densa, úmida e deliciosa. É o acompanhamento obrigatório nos churrascos de domingo em MS.
A Lenda da Origem:
Diz a história que, no século XIX, a cozinheira do presidente paraguaio Carlos Antonio López adicionou farinha de milho demais à sopa que ele gostava. O líquido virou um bolo. Com medo, ela serviu assim mesmo. O presidente adorou e batizou o “erro” de “Sopa Paraguaia”.
3. Arroz Carreteiro: A Comida de Comitiva

Nascido nas comitivas (grupos de peões que transportam gado pelo Pantanal), o Arroz Carreteiro é a definição de comida de resistência.
Originalmente, os peões levavam carne de sol (charque), que não estragava sem geladeira no calor do Pantanal. Na hora do almoço, para ser prático, cozinhavam a carne dessalgada com arroz em uma única panela de ferro. A versão sul-mato-grossense é rica, úmida e muitas vezes finalizada com banana-da-terra frita, criando um contraste doce e salgado perfeito.
4. Macarrão de Comitiva (ou Macarrão Boiadeiro)
Este é um prato que poucos turistas conhecem, mas é uma joia da cultura pantaneira. Diferente do macarrão italiano que é cozido em água abundante e depois recebe o molho, o Macarrão de Comitiva tem uma técnica única.
O Preparo:
A carne de sol é frita na própria gordura (ou banha). Depois, o macarrão cru (espaguete quebrado) é jogado na panela e frito junto com a carne até ficar dourado. Só então adiciona-se água aos poucos, apenas o suficiente para cozinhar a massa, que absorve todo o sabor da carne. O resultado é um macarrão “al dente”, soltinho e com sabor defumado intenso.
5. Chipa: O “Primo” do Pão de Queijo
A Chipa (ou Chipa Paraguaia) é feita de polvilho e queijo, mas tem suas diferenças em relação ao pão de queijo mineiro.

- Formato: Tradicionalmente em forma de ferradura (letra U), simbolizando sorte.
- Textura: É mais densa, firme e crocante por fora, com sabor intenso de queijo curado.
Em MS, é o café da manhã oficial. É comum ver vendedores ambulantes com cestos de vime vendendo “Chipa quentinha” nos semáforos logo cedo.
6. Pacu Assado e Ventrecha de Pacu
O Pantanal é rico em peixes, e o Pacu é um dos reis dos rios. Devido ao seu tamanho e alto teor de gordura, ele fica perfeito assado inteiro na brasa, muitas vezes recheado com farofa de couve.
Herança direta da fronteira com o Paraguai e da colonização espanhola na região do Prata. O Puchero é um cozido rústico e substancioso.
Mas a verdadeira iguaria local é a Ventrecha de Pacu. São as costelas do peixe, cortadas em postas e fritas. A gordura entremeada nas espinhas derrete na fritura, deixando a carne suculenta por dentro e crocante por fora. É o petisco número 1 dos pesqueiros e restaurantes de beira de rio.
7. Caldo de Piranha
Considerado um potente afrodisíaco natural (a cultura popular garante!), o Caldo de Piranha é uma sopa grossa, picante e revigorante.
A piranha é um peixe com muita espinha, então o preparo envolve cozinhar o peixe até desmanchar, bater tudo no liquidificador e coar, resultando em um caldo concentrado. É servido bem quente em cumbucas, geralmente antes do prato principal ou para “curar ressaca”.
8. Mojica de Pintado
A Mojica é a versão pantaneira da peixada. O prato é feito com o nobre peixe Pintado (um bagre de couro, sem espinhas na carne), cortado em cubos.
O segredo está na combinação com a mandioca (aipim). O peixe é cozido lentamente com pedaços de mandioca, tomate, cebola e temperos. O amido da mandioca engrossa o caldo naturalmente, criando um creme aveludado e reconfortante. É comida de alma (“Comfort Food”) do Pantanal.
9. Puchero (ou Locro)
Ele é feito com cortes de carne bovina com osso (como o ossobuco ou costela), linguiça, mandioca, batata, milho, abóbora e repolho. Tudo é cozido junto até os sabores se misturarem. É um prato de inverno (mesmo que o inverno em MS seja curto), servido para alimentar grandes famílias.
10. Furrundu: O Doce Pantaneiro
Para fechar a lista, a sobremesa mais tradicional da região: o Furrundu.
É um doce feito do caule do mamão (ou mamão verde) e rapadura (ou açúcar mascavo). O preparo é trabalhoso: o caule precisa ser ralado e lavado várias vezes para tirar o amargor do leite. Depois, é cozido lentamente com a rapadura, gengibre, cravo e canela até virar uma compota escura e brilhante.
O sabor é exótico, lembrando um pouco o doce de coco queimado, mas com a fibra e a textura única do mamão. É servido puro ou com queijo fresco.
Bônus: Tereré (A Bebida que Acompanha Tudo)
Embora não seja um prato, é impossível falar de culinária de MS sem citar o Tereré.
É uma infusão de erva-mate grossa em água extremamente gelada (muitas vezes com limão ou outras ervas como hortelã e boldo). Servido na guampa (copo feito de chifre de boi) com uma bomba de metal, o Tereré é um ritual social. Em 2020, foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Imaterial da Humanidade.
Tabela Rápida: Resumo dos Pratos
| Prato | Tipo | Ingrediente Principal | Origem/Influência |
| 1. Sobá | Prato Principal | Macarrão, Carne, Omelete | Japonesa (Okinawa) |
| 2. Sopa Paraguaia | Acompanhamento | Milho, Queijo, Cebola | Paraguaia |
| 3. Arroz Carreteiro | Prato Principal | Arroz, Carne de Sol | Pantaneira |
| 4. Macarrão de Comitiva | Prato Principal | Macarrão frito, Carne | Pantaneira |
| 5. Chipa | Lanche | Polvilho, Queijo | Paraguaia |
| 6. Pacu Assado | Prato Principal | Peixe Pacu | Pantaneira |
| 7. Caldo de Piranha | Entrada/Sopa | Carne de Piranha | Pantaneira |
| 8. Mojica de Pintado | Prato Principal | Peixe Pintado, Mandioca | Pantaneira/Indígena |
| 9. Puchero | Cozido | Carne com osso, Legumes | Espanhola/Paraguaia |
| 10. Furrundu | Sobremesa | Caule de Mamão, Rapadura | Cuiabana/Pantaneira |
Fontes e Referências
Para garantir a qualidade das informações, baseamos este artigo em:
- IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional): Registro do Sobá como Patrimônio Cultural
- Fundação de Turismo de MS (Visit MS): Gastronomia Sul-Mato-Grossense
- Embrapa Pantanal: Pesquisas sobre frutos nativos e peixes
FAQs sobre a Culinária do Mato Grosso do Sul





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